Gestão de estádios é "consenso" para Copa do Mundo de 2014

A organização da Copa do Mundo de 2014 permanece nebulosa quanto ao financiamento das obras necessárias e a viabilidade da implantação de uma infra-estrutura adequada. Um dos temas mais complexos, no entanto, está, teoricamente, resolvido. Modelo predominante até o momento, a combinação cidade-sede com estádio público deve ser resolvida, segundo especialistas, políticos e até dirigentes, pela privatização da gestão dos estádios.
A menos de um mês da definição das sedes do Mundial, o Comitê Organizador do evento apresenta 17 opções de escolha, mas apenas quatro locais terão, necessariamente, um estádio privado. Com a promessa do Governo de não investir recursos públicos em construção ou reforma de aparelhos esportivos, a discussão sobre a capacidade de utilização destes após a Copa torna-se cada vez mais imprescindível.
"Você tem de privatizar a gestão. Tem de haver um plano de negócios para o estádio, e eu não imagino o Estado resolvendo esse problema como um empresário", disse Mauro Holzmann, ex-diretor de marketing do Atlético Paranaense e atual diretor da Traffic Sports para arenas esportivas.
"A questão principal é se é função pública a gestão de um estádio. Eu entendo que o Estado precisa zelar pelo esporte como um componente social, mas a propriedade de arena não tem qualquer benefício para isso", disse Walter Feldman, secretário municipal de Esportes e Lazer de São Paulo.
"Eles não vão ser públicos. Podem ser no começo, mas depois de um tempo fatalmente vão para a iniciativa privada, porque não é função deles cuidar de estádios. Ainda que uma cidade venha a construi-lo, ela vai colocar isso em licitação para que o grupo gestor de estádios tome conta disso por 30 anos", disse Eduardo Castro Mello, especialista no assunto.
O aparente consenso, no entanto, cerca-se de dúvidas quando os participantes do debate pesam exemplos anteriores e as ressalvas para o futuro. Caio Luiz de Carvalho, presidente da SPTuris, por exemplo, questiona a rentabilidade do negócio.
"Fazer um estádio com dinheiro público e dar para o setor privado, como acontecerá em muitas cidades que receberão a Copa, é um escândalo. A licitação joga o preço lá embaixo e não condiz com o que foi investido", disse o político.

O grande exemplo é o Engenhão, construído no Rio de Janeiro para os Jogos Pan-Americanos de 2007, que custou R$ 380 milhões. O poder público pediu, em licitação, R$ 1.680 mensais por 20 anos de arrendamento, que renderiam pouco mais de R$ 403 mil no período. O vencedor do processo foi o Botafogo, que paga R$ 36 mil mensais, cerca de R$ 8,6 milhões ao todo.
Além disso, há dúvidas sobre o interesse da iniciativa privada por espaços como o Verdão ou o Morenão, sugestões de sedes de Campo Grande e Cuiabá, respectivamente. Sem futebol desenvolvido, os locais dependerão muito de outros tipos de eventos para se manterem rentáveis.
"Você precisa ter uma boa exploração comercial, e não é só em relação aos grandes shows, mas a eventos diários como festas e reuniões de empresas. Agora, se não existir mercado vai continuar do jeito que está hoje", disse Mauro Holzmann.

"Eu não tenho dúvidas de que vão ter interessados. Hoje você já tem empresas por trás de cada uma das propostas. Só não vai dar certo se isso cair na mão de alguém despreparado", disse Castro Mello

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